Sexta, 03 Jul 2020
Encontro Nacional de Jovens Gays e outros HSH

Confira a carta de Fortaleza sobre o evento!

CARTA DE FORTALEZA
I Encontro Nacional de Jovens Gays e Outros HSH para a Prevenção,
Solidariedade e Ativismo em HIV/Aids

Resoluções


De 02 a 04 de outubro de 2009, na cidade de Fortaleza, no Estado do Ceará, o Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB), em parceria com a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), o Departamento Nacional de DST/AIDS e Hepatites Virais e a Fundação Schörer, realizou o I Encontro Nacional de Jovens Gays e outros Homens que fazem Sexo com Homens (HSH), que teve como tema “Prevenção, Solidariedade e Ativismo em HIV/Aids”.

Esse encontro contou com a participação de 150 (cento e cinquenta) jovens na faixa etária de 18 a 29 anos, contando com representação de jovens de todos os 26 (vinte e seis) estados da federação e o Distrito Federal, além de convidadas e convidados de instituições acadêmicas, governamentais e não governamentais; e objetivou a construção da responsabilidade social e da solidariedade para as questões de HIV/AIDS, considerando os jovens como sujeitos de direito políticos e autônomos na construção da cidadania por um mundo mais igualitário. Dessa maneira, torna-se necessário destacar que, no Brasil, quando fazemos referência à juventude, associamos, numa perspectiva geracional, aos sujeitos que vivenciam a faixa etária entre 15 e 29 anos. No entanto, Juventude pode parecer, à primeira vista, um tema óbvio, assim como o diagnóstico e a resolução de seus problemas, visto que todos convivemos com jovens e temos opiniões a respeito de suas características, problemas e virtudes. Afinal, nós, jovens, somos pauta constante na mídia, na publicidade e nos produtos da indústria cultural, havendo uma produção incessante de imagens a nosso respeito.

O problema é que os jovens aparecem na mídia como personagens de publicidade e novelas – bonitos, saudáveis, alegres e despreocupados – que se oferecem como modelos de um padrão comportamental, tipo de consumo e de um estilo de vida ao qual poucos têm realmente acesso. A realidade das/os jovens brasileiros é muito diversa, ou seja, não permite uma padronização sobre suas vivências e comportamentos, por serem díspares e desiguais, sendo que, num contexto de saúde e qualidade de vida desses atores, destaca-se um avanço significativo da epidemia da Aids. O aumento de casos de HIV entre jovens na faixa etária de 13 a 29 anos, apontado pelo Departamento Nacional de DST/AIDS e Hepatites Virais, torna de fundamental importância a construção de um momento de reflexão sobre as atuais políticas de enfrentamento da epidemia, atentando para a estigmatização e a vulnerabilização dos jovens gays e outros HSH como um aspecto importante das violações de direitos fundamentais.

Outro importante item também pertinente a essa dimensão da vulnerabilidade dos jovens gays e outros HSH é a negação imposta, especialmente, pela cultura heteronormativa, do direito à livre orientação sexual, que implica, juntamente com outros fatores, na elevação de 22% dos casos de Aids entre gays e outros HSH, na faixa de 13 a 19 anos, entre 1990 e 2005. Portanto, em resposta aos contextos apresentados acima e pensando em novas tecnologias de prevenção associadas ao empoderamento desses jovens, o I Encontro Nacional de Jovens Gays e outros HSH apresenta as seguintes recomendações:

Aos Governos:


1. Trabalho de prevenção não somente nas Unidades Básicas de Saúde - UBS, como também nas escolas, ativando efetivamente o programa Saúde e Prevenção na Escola - SPE, visando permitir a visibilidade das homossexualidades na juventude. Contudo, analisando com cuidado como e para quem serão feitas as ações de promoção da prevenção (faixa etária), percebendo as especificidades do currículo escolar e suas limitações;

2. Priorizar junto aos jovens a cultura de autonomia na busca do preservativo (avanço em direção à universalização do acesso via Sistema Único de Saúde- SUS);

3. Incluir a linguagem de sinais e braile nas produções de audiovisual e outros materiais informativos de prevenção e Redução de Danos;

4. Descentralizar para o interior dos estados as ações de promoção de saúde, visando permitir aos jovens que não residem nos grandes centros urbanos o acesso às informações e programas de saúde disponíveis;

5. Incentivar campanhas anti-bullying dentro das escolas, permitindo, dessa maneira, maior liberdade de expressão das homossexualidades dentro do ambiente escolar;

6. Departamento Nacional de DST/Aids e Hepatites Virais e Secretarias Estaduais de Saúde desenvolverem campanhas de prevenção de uso do preservativo com foco no prazer e erotização do uso dos insumos e a quebra de preconceitos sobre relações sorodiscordantes entre jovens gays e outros HSH;

7. Aprofundar o debate sobre a descriminalização da transmissão do HIV entre jovens gays e outros HSH, junto aos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e Ministério Público;

8. Publicizar/visibilizar os novos estudos e informações sobre HIV/Aids (Estudo do programa suíço de DST/Aids e outras pesquisas);

9. Fortalecer a discussão sobre a descriminalização do usuário de substâncias psicoativas, com o intuito de desmistificar a marginalização do contexto do uso de drogas;

10. Garantir a participação de jovens gays em espaços de controle social de políticas públicas, tais como os espaços de Segurança Pública, Saúde, Educação, Habitação, Assistência Social, etc;

11. Construir campanha de combate à homofobia em escolas e espaços de homo sociabilidade, através de material informativo impresso e audiovisual, abordando questões de gênero e leis anti-discriminatórias, atentando para as especificidades regionais, pertencimentos de classe, geração e níveis de compreensão;

Aos Movimentos Sociais:


1. Priorizar a temática da sorodiscordância e Aidsfobia junto a ativistas dos movimentos LGBTT e movimento Aids;

2. Fortalecer Redes regionais e nacionais juvenis acerca do uso de drogas, bem como de ativismo em Redução de Danos;

3. Garantir a continuidade do Encontro Nacional de Jovens Gays e outros HSH, com encontros estaduais preparatórios;

4. Que os jovens gays fortaleçam a ABGLT, como forma de ampliar as conquistas, especialmente, por essa rede, no que tange aos direitos e políticas para LGBTT;

5. Que os jovens gays e outros HSH pautem a ABGLT no sentido de se criar e/ou fortalecer o coletivo/setorial de Juventude, normatizado e composto por jovens;

6. Exigir maior investimento público e privado no desenvolvimento de tecnologias profiláticas, terapêuticas e de diagnóstico, em HIV/Aids, que tenham eficácia junto a jovens gays e outros HSH;

 

comentários 

 
#3 preconceitoluan 25-12-2011 21:01
Citando kaio:
Fico feliz por ter participado e ter dado minha contribuição para criação deste documento tao valioso.


estão de parabéns.......

obrigado eu
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#2 preconceitoluan 25-12-2011 21:00
eu nao tenho preconceito
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#1 Adorei a cartakaio 17-06-2010 14:42
Fico feliz por ter participado e ter dado minha contribuição para criação deste documento tao valioso.


estão de parabéns.......
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