Terça, 16 Jul 2019
Histórico

O Grupo de Resistência Asa Branca – GRAB foi fundado em 17/03/89, num contexto de violência crescente contra os homossexuais. Em 1992, a entidade foi reconhecida como de Utilidade Pública Municipal. Em 1995, muito contribuiu para a aprovação da emenda à Lei Orgânica de Fortaleza, que garante mecanismos de enfrentamento à discriminação aos homossexuais. Em 1998, atuou diretamente para a aprovação da Lei Municipal 8.211/98 que pune práticas discriminatórias devido à orientação sexual.


Com o impacto da Aids sobre as comunidades homossexuais, no final dos anos 80, o apoio direto às pessoas que vivem com HIV/Aids torna-se também uma das bandeiras de luta do GRAB. Avançar na organização social, na mobilização comunitária, e na efetivação dos direitos humanos dos/as homossexuais e das pessoas com HIV/Aids, passa a ser também um exercício diário da entidade. O GRAB é uma das entidades fundadoras e membro atual da coordenação do Fórum de ONGs/Aids do Ceará.


No decorrer desses 21 anos, o GRAB tem atuado diretamente no enfrentamento ao preconceito por orientação sexual em diversas instâncias da sociedade, através da construção da cidadania homossexual na premissa de que esta perpassa todas as esferas da vida humana, exigindo uma atuação plural que contemple a justiça, a saúde, a educação, a cultura, a formação profissional, contribuindo para que essa população vivencie plenamente seus direitos sexuais e sociais.


Desta forma, a instituição tem desenvolvido diversas ações e projetos nas áreas da Saúde (prevenção das DST/HIV/Aids e apoio às pessoas vivendo com HIV/Aids), Qualificação Profissional (cursos de informática e centro de estética), Direitos Humanos (assistência jurídica e psico-social gratuita em casos de discriminação por orientação homossexual), Ativismo (politização e luta pelo controle social das políticas públicas) e Organização das Paradas pela Diversidade Sexual no Ceará.


De 1995 a 2006, realizou Projetos continuados na área de Assessoria Jurídica (2001 a 2003), Prevenção e Cidadania (Projetos: Homens, Entre Nós, Entre Bi e de Travestis), junto à população de gays, bissexuais, trabalhadores do sexo e transgêneros. Na área do apoio às Pessoas Vivendo com HIV/Aids – PVHA e familiares, desenvolveu o Projeto HIVIDAARTE (2000), junto a 30 jovens, de 14 a 21 anos, portadores de HIV/Aids e filhos de portadores, para a capacitação profissional.


De 2001 a 2004 desenvolveu o projeto Reconstruindo e Valorizando a Vida, que visou a prevenção secundária, a qualificação profissional e a adesão para PVHA e familiares. Realizou ainda o projeto Buddy Sol Fortaleza, de acompanhamento domiciliar as PVHA. Na área do Desenvolvimento Institucional, executa o Projeto SOMOS, que assessora diversos grupos de promoção dos direitos humanos de homossexuais de todo o estado do Ceará. Como esforço no ativismo/controle social, foi co-facilitador nos Cursos Nacionais de Liderança e Ativismo (com o SOS Corpo e o Grupo de Incentivo à Vida – GIV), 1999/2000; a partir de 2003 contribuiu também em eventos/formações/articulações, em HIV/Aids, na África, em Angola, Uganda, Moçambique e Quênia; é suplente do Conselho Estadual de Saúde do Ceará e foi representante das ONGs do Nordeste na Comissão Nacional Aids do Ministério da Saúde em 1999-2001.


Desde 1999, realiza as Paradas pela Diversidade Sexual no Ceará, tem ainda participado das Conferências estaduais e nacionais de Direitos Humanos, nos últimos anos, além de ter participado das reuniões para a formulação do Programa Brasil Sem Homofobia - Programa de combate à violência e à discriminação contra LGBTT e de promoção da cidadania homossexual, da SEDH - Presidência da República. Uma importante ação realizada pelo GRAB foi o Projeto “Direito e Cidadania” de assessoria jurídica, no período de 2002 a 2003. Essa ação possibilitou à instituição uma política permanente de conscientização e defesa de direitos, com a instrumentalização, nesse período, de respostas jurídicas concretas aos constantes casos de discriminação e preconceito dirigidos a essa população. Em 2006, o GRAB implantou o Centro de Referência Janaína Dutra, que promove o atendimento jurídico e psico-social às comunidades LGBTT.


No que se refere às habilidades e potenciais ativistas e técnicos envolvidos com a instituição, o GRAB possui um quadro de profissionais (com formação média, graduados nas áreas humanas, especialistas, mestres e doutores) habilitados em gerenciamento e elaboração de projetos, ativismo, controle social, desenvolvimento institucional, advocacy, intervenção etc., que o credencia a utilizar as ferramentas metodológicas empregadas, baseadas em metodologias participativas, numa construção entre pares e de empoderamento comunitário. Essas habilidades, técnica, política e científica, adquirida pela entidade, refletem na articulação e fortalecimento do movimento social como protagonista de ações sócio-educativas de intervenção social nos espaços de vivência das comunidades.

O GRAB, como entidade pioneira na luta pelos direitos dos homossexuais no estado do Ceará, tem desenvolvido ações sócio-educativas e de intervenção social, sob o princípio de prioridade em melhorar a qualidade de vida de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais e estreitar, cada vez mais, o diálogo entre o movimento comunitário homossexual e a sociedade civil.